Aquela casa que uma vez sonhei, escura e vários quartos. Milhares de coisas penduradas, ervas, tecidos. Uma bagunca.
Mas havia também aquele quarteirão claro. De prédios altos e com belos jardins no meio das ruas. Eu me vejo andando e curiosa observando.
As casas germinadas de senhorinhas. Cobertas de paninhos de crochê e xícaras de chá com florzinhas. Eu passo de uma casa a outra pela janela. Quando entro em uma janela, me dou de cara com essa casinha. Quando saio dessa casa por uma outra janela, dou de cara com outra casinha e uma senhorinha de cabelos brancos e simpática vem ao meu encontro.
A raiva que me corroia, nao corre mais nas minhas veias. A repugnancia esta na ponta da lingua. Uma vez ou outra me deparo com a quietude e escondo a decepcao. O que na verdade é impossível se você consegue enxergar minha face.
Nunca pensei que amor e quietude pudessem andar de mãos dadas. Sempre vi a paixao e os relacionamentos como uma parte disturbada. Agora é sereno. É sinonimo de compreensao e aceitacao.
O que o futuro prepara para mim, ainda me sufoca um pouco e me deixa inquieta. Mas a jornada do agora é tão mais interessante, que deixo pra pensar no depois, amanhã. No amanhã, depois.